Marcas
janeiro 17th, 2012 § Deixe um comentário
E aqueles riscos deixados da madeira ficam cada dia mais fracos.
Talvez não fosse mais possível lê-los se eu não insistisse em marcar por cima do teu rabisco, garantindo, de alguma forma, que continues presente. Faço isso com minhas memórias, relembrando os momentos e revendo fotos sempre que sinto tua falta e já não enxergo com perfeição teu rosto.
Por isso, deixei tua homenagem gravada na minha pele.
Agora tenho garantia de que jamais sairás de mim.
Do Esquecimento
janeiro 16th, 2012 § Deixe um comentário
Uma desavença, uma desconfiança, uma atitude que não esperava
Decido que preciso esquecer para que possa seguir em frente
Me esforço, nego, evito e me distraio para evitar o que tanto pensava
O tempo passa. O tempo, que dizem ser o curandeiro de todos os males
Ele atravessa os dias de maneira arrebatadora
e aquelas lembranças acabam pouco a pouco indo pelos ares
E a vida me pega de surpresa
e leva o objeto das lembranças embora
É quando decido que não quero mais que a mente esqueça
Não quero perder o sorriso e o carinho
Quero lembrar os movimentos, a voz, o toque, a risada
Recordar as brincadeiras, brigas e os momentos que te vi sozinho
Sinceridade, fidelidade e honestidade
O abraço acolhedor, as histórias, as conversas
E todos os momentos de intimidade
E aí começo a entender
Não adianta, não há escolha
Não posso decidir sobre como esquecer
Não posso pedir para que o tempo passe depressa
para esquecer alguém ou alguma coisa
Nem a velocidade dos ponteiros está sob meu controle para que eu a impeça
Não tenho como garantir
que as memórias se mantenham intactas
O tempo passa sem nem podermos assistir
Sobre a morte
janeiro 16th, 2012 § Deixe um comentário
Porque na verdade foi isso que me trouxe tantas lições.
Pode parecer melancólico ou um tanto mórbido, mas a morte serve para trazer ensinamentos para a vida. Foi um ponto de virada, trouxe uma nova história, novos pensamentos e significados.
E de que servem os rótulos? Já julgam tanto, esse é só mais um motivo.
E porque tudo deve parecer tão triste? Nem sempre as saudades são infelizes.
Que culpa tenho se toda minha inspiração para escrever sobre mim se limita a esse acontecimento? E por que é um limite? Não é. Se todos vão chegar ao mesmo fim, qual é o medo de se falar sobre ele?
…
E por que são encarados como comparação todos os objetivos?
Ela serviu para ensinar também o que é bom e o que me faz bem.
Então, qual o pecado em querer encontrar pontos parecidos?
Incompreensão
janeiro 16th, 2012 § Deixe um comentário
As pessoas não sabem o que dizer.
E, pior, não sabem como ouvir.
Sinto que incomodo quando falo.
Faria bem se pudesse contar os pensamentos que recorrem à minha mente.
Mas também entendo o estranhamento alheio.
É sensato dobrar a vontade como fosse um papel de origami.
Quando chegar a um tamanho suficiente para se esconder entre os dedos, poderá caber em mim sem que ninguém note. É preciso então acomodar dentro do peito, onde, acumulada entre tantas outras, poderá se expor livremente quando transbordar pelos olhos.
Dos sinais da vida
dezembro 5th, 2011 § Deixe um comentário
Algumas vezes a vida nos prepara para grandes mudanças.
Cabe a nós captar os sinais dos ciclos que se encerram.
Há algum tempo complicações de saúde anunciavam que o ex-jogador Sócrates passava pelo encerramento de um desses ciclos. Seu corpo não podia mais suportar o vício em bebida alcóolica. O susto mudou o comportamento tanto dele, quanto das pessoas em volta. Após a recuperação, uma série de programas deu espaço e Sócrates participou até mesmo de atrações que pouco tiveram a ver com ele (como o game Mega Senha, da RedeTV!, onde ‘Magrão’ estava aparentemente desconfortável).
Além do novo interesse da mídia, Sócrates mostrava visão responsável demais sobre seus atos e as consequencias que eles geraram. Falou abertamente sobre seu problema e aconselhou a todos os que tiveram a oportunidade de ouvir a não fazer o mesmo.
“Vocês que estão aqui, que são jovens, precisam saber disso. Bebida não leva a lugar nenhum. Ela não trouxe nada de positivo para a minha vida” – As palavras não estão reproduzidas fielmente. Transcrevi o que ficou em minha mente do discurso do Doutor no programa Altas Horas, da Rede Globo, exibido há algumas semanas atrás.
Do pouco que conheci do ídolo brasileiro, aprendi aos poucos a reconhecer a grande pessoa que era. Não vi muitos atletas considerados gênios em campo, infelizmente. Desses tantos que não acompanhei a carreira, foram poucos os que conseguiram conquistar admiração minha sem que os visse atuando. Mas um dos que conseguiu, com certeza, foi o Sócrates.
E isso aconteceu porque ele se mostrou ser muito mais do que um ‘simples’ jogador de bola. Além dos episódios conhecidos, como o envolvimento com a política brasileira e a Democracia Corintiana, Sócrates se mostrou um homem de ideias fortes que, em grande maioria, eram absolutamente contundentes. Um homem em extinção!
A manhã de domingo, 4 de dezembro de 2011, foi acompanhada pela triste notícia da morte de Sócrates. Estranhamente, isso me afetou de maneira forte e impactante. O ciclo se encerrou de forma arrasadora!
Carlos Casagrande, ex-jogador e amigo de Sócrates, disse algumas das palavras mais bonitas na televisão. Durante a transmissão do jogo onde o time do coração dos dois se tornava campeão brasileiro, Casagrande emocionou os telespectadores com as seguintes palavras – também não reproduzidas fielmente:
“Aquele sentimento que costumamos ter quando as pessoas morrem, de que passamos a vida sem dizer a elas o que representaram para nós, não aconteceu comigo. Eu disse a ele tudo o que ele significou para mim, toda a importância que ele teve na minha história e soube perfeitamente o quanto eu o amava”
Foram os sinais, as insinuações do fim do ciclo, que fizeram com que a postura das pessoas mudasse em relação ao Sócrates. Merecido! Devido a isso pude conhecer muito mais sobre um personagem imensamente importante na história do futebol brasileiro – e mundial. Infelizmente ele partiu. Casagrande disse estar pela metade. Os corinthianos sem seu maior ídolo. Os brasileiros sem uma cabeça pensante e ativa no mundo do futebol. O mundo sem um cara sério, muitas vezes de olhar duvidoso, de sorriso difícil e sincero, que se definiu ao fim do programa De Frente Com Gabi, do SBT, como:
“Um eterno aprendiz”
Que os ensinamentos continuem tanto para nós, que ficamos, quanto para ti, onde quer que etejas! Fique em paz, grande Sócrates!

Meu egoísmo musical
junho 17th, 2011 § Deixe um comentário
Para introduzir o post, um aviso: sou uma legítima escorpiana!
Isso explica muito do que será dito neste texto.
Sou uma fã de Caetano Veloso. Mais do que por tudo que ele representa para nossa cultura, e mais do que por suas boas músicas, sou fã de Caetano porque minha mãe é fã de Caetano. Não só do baiano conhecido pelo ‘ou não’ (bordão atribuído a ele sem razão, segundo o próprio), mas também fã de Chico Buarque, Milton Nascimento, Gilberto Gil e tantos outros ótimos representantes da nossa música brasileira… tudo por causa da minha mãe!
Ela, artista plástica, sempre trabalhou muito para sustentar os quatro filhos, enquanto nosso pai ralava em casa para aturar os pestes (dois escorpianos, dois aquarianos) e fazer a comida para alimentar-nos (as preferidas por nós: feijão e farofa). Pela ausência diária de minha mãe em nosso convívio caseiro, aos fins de semana, com ela em casa, a briga (saudável, quase sempre) era pela atenção dela. Disputávamos quem faria o café (e tinha que ser com a quantidade certa de pó e água), quem colocaria a mesa, quem a acordaria fazendo massagem nas costas… e também quem escolheria o CD que ela mais gostaria de ouvir no dia.
Dos CDs dela que eu mais gostava de colocar no aparelho, estava o Caetanear.
(Faixas: 01 - Beleza Pura/ 02 - Eclipse Oculto/ 03 - Tempo de Estio/ 04 - Qualquer Coisa/ 05 - Luz do Sol/ 06 - O Quereres/ 07 – Odara/ 08 - Sampa/ 09 - Lua de São Jorge/ 10 – Queixa/ 11 – Lua e Estrela/ 12 – Menino do Rio/ 13 – Leãozinho/ 14 – Você é Linda)
Algumas das canções desse álbum sempre foram um marco na carreira de Caetano, o que as tornaram famosas para a maioria, como Leãozinho eVocê é Linda. Outras, pouco executadas, sempre foram muito pouco conhecidas. Mas, para mim, sempre representaram um universo muito particular, têm um laço afetivo comigo e me trazem uma certa sensação de pertencimento. Elas sempre foram ‘minhas’ e de minha mãe.
Tempos atrás, uma novela da Rede Globo foi nomeada de Beleza Pura, e a música de abertura era justamente a primeira faixa do disco Caetanear, mas na voz do Samuel Rosa. Primeira sensação: “Adoro essa música!”. Logo após alguns episódios, ouço o comentário de uma amiga: “Já ouviu a música nova do Skank que toca na abertura da novela? Super legal!”.
QUE? Música do Skank? NOVA?
Segunda sensação: “Que merda essa música na abertura da novela!”
Agora, Caetano lançou um CD/DVD Multishow Ao Vivo com a Maria Gadú (cantora cuja voz me agrada muito, mas as canções não tanto – pelo menos por enquanto). Como se já não bastasse tocarem Beleza Pura, já ‘popularizada’, ainda cantaram em dupla Odara, O Quereres eMenino do Rio.
Ver outras pessoas ‘conhecendo’ essas antigas canções e cantarolando as melodias é como se me pudessem ver por completo, me conhecer, fazer parte de tudo que essas músicas significam para mim. E quando noto que ninguém tem a mesma relação que eu tenho com elas, me causa uma irritação típica de pessoas do meu signo.
Tenho ciúmes, sou egoísta. As queria só para mim!
Modas me fazem ser preconceituosa (defeito que assumo), mas esquecendo meu lado egoísta por algumas linhas, espero que essa onda de regravações sirva para que as pessoas possam conhecer músicas que, de verdade, não merecem serem esquecidas em CDs antigos.
Retomando o egoísmo, espero que a nova moda de regravações não chegue à Gil.
Tirar de mim a música que leva meu nome e que sempre me deixou orgulhosa de ouvir, seria muita injustiça!
Como diria o poeta…
janeiro 31st, 2011 § Deixe um comentário
“Felicidade é como a gota de orvalho numa pétala de flor”
Sofridos os que já notaram.
Os momentos bons chegam na hora certa, e parecem tão comuns que passamos por eles sem perceber que estão marcando nossas vidas. São da maneira como devem ser, o riso é espontâneo, as atitudes são imediatas, sem moderação, sem preocupação.
E aí, uma hora, tudo passa.
Você só pode olhar tudo que foi e ter certeza de que foi bom.
Mas como dói a incerteza do que será no futuro.
O Som da Saudade
dezembro 30th, 2010 § 1 Comentário
Correria. Preocupações. Família. Amigos. Trabalho.
Eis que surge uma pequena pausa no caminho de volta para casa e ligo o rádio.
E uma música é capaz de me transportar para pensamentos ‘esquecidos’ e para saudades que ainda doem muito.
O início
dezembro 24th, 2010 § 2 Comentários
Um blog. Isso não é muita novidade pra mim.
Já tive alguns blogs ao longo da vida. Mas todos eles foram durante minha adolescência. Época em que eu era metida a rebelde, só andava de preto e só ouvia rock pesado. O resultado foram umas páginas pretas, com frases de músicas e posts com tendências depressivas.
Alguns anos depois, me vejo com 22 anos (sempre preciso fazer as contas pra lembrar ao certo minha idade), com muitas coisas mudadas. Como comentei com meu amigo Ivan (que me incentivou a criar essa página), ainda bem que o tempo passa! Porém, não me arrependo de nada do que já fiz. Teve de ser daquela forma, para que hoje fosse assim (meio Efeito Borboleta).
Vou me sentir no direito de ocultar as páginas que fiz pro Twister, porque essa foi uma fase pré-adolescente.
Agora, como uma estudante de jornalismo que está indo pro 4º e último ano, o blog já é um tipo de ‘necessidade’. É uma boa maneira de exercitar a escrita, de ser lida e de, quem sabe, mostrar trabalho!
Mas a criação disso aqui é com uma ideia muito mais pessoal do que profissional.
Vamos ver no que dá!
Por hora, é isso!
(Prevejo que a periodicidade de postagem será um problema. Ou não)



